MPF investigará a Jovem Pan por incitação a atos antidemocráticos e fake news
Imagem: Divulgação/Jovem Pan
A emissora passou a divulgar notícias sobre o funcionamento das urnas eletrônicas envolvimentos dos membros do Judiciário no resultado das eleições.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para analisar a rede Jovem Pan. Além de veicular notícias falsas e comentários abusivos, a emissora também dissemina conteúdos desinformativos a respeito das instituições brasileiras, o que culmina no incentivo a atos antidemocráticos e terroristas, como o de Brasília, no último domingo (8).
Segundo o levantamento do MPF, a emissora tem veiculado sistematicamente notícias faltas. A Jovem Pan adota ainda discursos que “atentam contra a ordem institucional”, como descreveu o órgão em nota no site.
Um dos exemplos da postura questionável da jovem Pan foi a minimização da gravidade dos atos terroristas promovidos em Brasília e que culminaram na depredação das sedes do governo. O comentarista Alexandre Garcia fez uma interpretação distorcida do artigo 1º da Lei Maior. “Nos últimos dois meses as pessoas ficaram paradas esperando por uma tutela das Forças Armadas. A tutela não veio. Então resolveram tomar a iniciativa”, afirmou Garcia, alegando que os atos demonstram “o poder do povo”.
Já Paulo Figueiredo chancelou o vandalismo cometido contra os Poderes da República, acrescentando ainda que a culpa pelo caos na capital federal foi dos agentes públicos. “As pessoas estão revoltadas com a forma como o processo eleitoral foi conduzido, elas estão revoltadas com a truculência com que certas instituições têm violado a nossa Constituição.”
Eleição
O MPF constatou ainda que os ataques aos poderes é anterior à disputa do pleito em outubro do ano passado. A partir de meados de 2022, a emissora passou a divulgar notícias infundadas sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e também que os membros do Judiciário poderiam interferir no resultado das eleições.
Figueiredo afirmou ainda que, diante da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a população teria duas alternativas. A primeira é a aceitação de “uma eleição sem transparência, sem legitimidade, sem confiança da população”. A segunda é uma guerra civil. ““Então que tenha uma guerra civil, pô!”, disse o comentariasta.
Plataformas digitais
Para garantir a penalidade da emissora por todos os delitos, o PMF pediu à emissora os dados pessoais dos apresentadores e comentaristas dos programas Jovem Pan News, Morning Show, Os Pingos nos Is, Alexandre Garcia e Jovem Pan – 3 em 1.
A empresa também está proibida de alterar ou apagar os vídeos publicados em seus canais no YouTube. Para garantir esta determinação, o MPF ordenou que a plataforma de vídeos preserve aíntegra de todos os vídeos publicados desde janeiro de 2022.
Renúncia
Tutinha, apelido do empresário Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, deixou o cargo de presidente do Grupo JP nesta segunda-feira (9).
A emissora não justificou o motivo da renúncia, alegando que “assim como os demais acionistas da empresa, continua no Conselho de Administração com a missão de preservar os princípios e valores que norteiam o Grupo Jovem Pan há oitenta anos.”
Fonte: Jornal GGN