Cidades costeiras terão novas ações de combate à poluição por plástico em 2027
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Plastic Reboot Brasil, coordenado pelo MCTI, prevê até dez soluções-piloto, capacitação e maior participação dos municípios no combate à poluição plástica
Fonte: Agência Brasil
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) prepara uma nova etapa do Plastic Reboot Brasil para 2027, com a previsão de implementar até dez soluções-piloto para a redução da poluição por plástico em cinco regiões costeiras do País. O planejamento inclui ações de capacitação, campanhas de conscientização e ampliação da participação de governos, empresas e instituições de pesquisa. As prioridades para o próximo ano foram discutidas nesta quinta-feira (5), durante a segunda reunião do Comitê Gestor Nacional (PSC) do projeto.
A iniciativa busca desenvolver alternativas para reduzir o consumo e o descarte inadequado de plásticos, especialmente no setor de hotéis, restaurantes e cafés (Horeca). As ações contemplam Belém (PA), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC) e a Baixada Santista (SP), com o objetivo de identificar soluções que possam ser replicadas em outros municípios brasileiros.
Para 2027, uma das principais prioridades será transformar os resultados do diagnóstico de 2026 em ações práticas. O levantamento busca identificar os principais desafios enfrentados pelos estabelecimentos comerciais, desde o uso de embalagens descartáveis até as dificuldades de acesso a alternativas economicamente viáveis. As informações servirão de base para a seleção das soluções-piloto, que deverão considerar a maturidade das tecnologias, a viabilidade de implementação e o potencial de replicação.
O diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron, que integra a equipe executora do projeto, destacou a importância da participação dos municípios para o avanço das atividades. Segundo ele, um dos desafios identificados neste primeiro ano foi a dificuldade de obter respostas de estabelecimentos das redes hoteleiras e de alimentação nas regiões atendidas.
“Para essa questão, várias secretarias municipais se comprometeram a reforçar o acompanhamento das visitas de agentes de campo e o preenchimento dos questionários encaminhados a cada estabelecimento”, afirmou.
Mobilização e novas soluções
Além da implementação dos projetos-piloto, o planejamento de 2027 prevê fortalecer os grupos de trabalho locais, que reúnem representantes do poder público, setor privado, instituições de pesquisa e sociedade civil. Esses espaços contribuem para identificar necessidades dos territórios e construir alternativas adequadas à realidade de cada região.
Segundo o coordenador do Plastic Reboot Brasil, Marcos Albuquerque, o próximo ano será importante para ampliar o alcance da iniciativa e estimular a participação de novos parceiros.
“Para 2027, nós esperamos um aumento da mobilização, tanto de municípios, estados e ministérios, e também do público em torno do projeto”, afirmou.
A programação inclui ações de capacitação para estabelecimentos do setor Horeca, atividades de engajamento com grandes empresas, estudos sobre mecanismos financeiros e iniciativas de comunicação voltadas à mudança de hábitos de consumo. A proposta é envolver diferentes setores da cadeia produtiva e estimular a adoção de soluções que reduzam a geração de resíduos plásticos.
Outro eixo previsto é a produção e a disseminação de informações técnicas para apoiar gestores públicos, empresas e consumidores. Os conhecimentos gerados pelo projeto poderão contribuir para a formulação de políticas públicas e a adoção de práticas sustentáveis em outras localidades.
“A gente prevê que ele vai gerar muita informação e conteúdo técnico, mais de natureza prática, para beneficiar, nos três níveis federativos, inclusive para a própria população e consumidores em geral, mais conhecimento e boas práticas para reduzir a poluição plástica nos oceanos”, acrescentou Marcos Albuquerque.
Integração de políticas públicas
O avanço do Plastic Reboot Brasil também envolve a articulação com políticas nacionais voltadas ao enfrentamento da poluição por plástico. Entre elas está a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (Enop), coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que estabelece diretrizes para prevenir, reduzir e eliminar a poluição por plásticos nos ambientes marinhos e costeiros até 2030.
Durante a reunião desta quinta-feira, representantes de ministérios e secretarias municipais discutiram os desafios da implementação e as possibilidades de ampliar a cooperação entre as instituições envolvidas. O encontro também permitiu avaliar o primeiro ano do projeto e apresentar o planejamento para 2027.
O Plastic Reboot Brasil integra uma iniciativa internacional desenvolvida em 15 países, com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). Com duração prevista de cinco anos, o projeto tem coordenação executiva do MCTI, por meio da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos (Seppe), implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e execução da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).