Dona de Fortnite acusa Apple de fazer lobby para que governo Trump prejudique o Brasil
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Tim Sweeney, CEO da Epic Games, diz que fabricante do iPhone pressiona Washington após decisão do Cade; Apple nega acusação e tarifa de 25% dos EUA já atinge produtos brasileiros
Fonte: Revista Fórum
A Epic Games, dona de Fortnite, acusou a Apple de usar lobistas em Washington para pressionar o governo de Donald Trump contra o Brasil. A denúncia foi feita por Tim Sweeney, CEO e fundador da desenvolvedora, durante entrevista coletiva virtual com jornalistas brasileiros na quinta-feira (30), segundo a Folha de S.Paulo.
Sweeney relacionou a atuação atribuída à fabricante do iPhone à decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que obrigou a empresa a abrir o sistema iOS para lojas de aplicativos e meios de pagamento concorrentes. Na versão do executivo, a Apple tenta deteriorar as relações entre Brasil e Estados Unidos para preservar taxas e restrições que a Epic considera ilegais e anticoncorrenciais.
Por determinação de Trump, o USTR impôs uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras. A cobrança entrou em vigor em 22 de julho e integra a ofensiva do governo dos Estados Unidos contra políticas brasileiras que afetam big techs e empresas de pagamento.
No comunicado oficial sobre o tarifaço, o governo norte-americano incluiu medidas relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamento entre as justificativas para punir o Brasil.
A investigação também abordou tarifas consideradas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Portanto, a sobretaxa não foi formalmente apresentada como consequência exclusiva da disputa envolvendo a Apple.
Os documentos públicos consultados do USTR registram a pressão comercial contra o Brasil, mas não identificam a Apple como responsável pela abertura da investigação ou pela aplicação das tarifas. A ligação entre o lobby da empresa e a punição ao país é uma acusação de Sweeney, contestada pela fabricante do iPhone.
Cade obrigou Apple a abrir sistema do iPhone
Em dezembro de 2025, o Cade homologou um acordo com a Apple para ampliar a concorrência no ecossistema do iPhone. O compromisso obriga a empresa a permitir lojas alternativas, pagamentos de terceiros e links para ofertas realizadas fora dos aplicativos.
O acordo tem duração de três anos e prevê multa de até R$ 150 milhões em caso de descumprimento. A investigação brasileira começou em 2022, depois de uma denúncia do Mercado Livre sobre possível abuso de posição dominante na distribuição de aplicativos para dispositivos com iOS.
A Epic Games afirma, porém, que as condições adotadas pela Apple continuam dificultando a concorrência. De acordo com a desenvolvedora, a empresa cobra 21% sobre compras feitas com sistemas de pagamento de terceiros, 15% sobre transações realizadas na internet a partir de links inseridos em aplicativos e 5% sobre o faturamento de lojas instaladas nos aparelhos.
As taxas foram detalhadas pela própria Epic em uma manifestação publicada em junho. Sweeney também afirmou que um usuário brasileiro precisa percorrer nove etapas para instalar uma loja alternativa no iPhone. Na União Europeia, segundo ele, o procedimento foi reduzido a seis etapas.
Apple nega acusação e Epic promete voltar ao Cade
À Folha, a Apple classificou como falsas as declarações de Sweeney e da Epic Games. A companhia afirmou que continua apoiando desenvolvedores brasileiros e destacou que o acordo firmado com o Cade prevê comissões reduzidas, formas alternativas de pagamento e novos canais para a distribuição de aplicativos.
A fabricante do iPhone também disse que trabalha com autoridades reguladoras brasileiras para preservar salvaguardas de segurança no ambiente digital. A empresa rejeitou ainda a acusação de que os relatórios exigidos das lojas concorrentes funcionariam como um mecanismo de espionagem, sustentando que os dados são necessários para calcular pagamentos relacionados ao uso de suas tecnologias.
Segundo a Folha, a Epic Games lançou sua loja para iPhones no Brasil no mesmo dia da entrevista, inicialmente com Fortnite e Rocket League Sideswipe. Sweeney afirmou que a companhia voltará a acionar o Cade para questionar as taxas e as barreiras que, na avaliação da desenvolvedora, ainda impedem uma concorrência efetiva com a App Store.