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Mais uma gigante dos data centers faz aposta bilionária no Brasil, de olho no boom da IA

02/07/2026

– Data center. Créditos: Unsplash

Em geral, o Brasil abriga o maior mercado regional de computação em nuvem da América Latina, e até 86% das empresas brasileiras utilizam serviços em cloud, com cerca de 52% de todo o processamento de dados corporativo já migrado para esses ambientes

Fonte: Revista Fórum

Uma companhia norte-americana especializada em infraestrutura para centros de dados, a Ada Infrastructure, controlada pela gestora Ares Management, anunciou o início oficial de suas obras para o GRU10, seu primeiro data center no Brasil.

O centro será construído na região metropolitana de São Paulo, em Franco da Rocha, e a empresa prevê investimentos de R$ 2,7 bilhões até 2030. O novo data center, um polo estratégico de infraestrutura computacional da empresa, contará com duas subestações próprias e 300 megawatts (MW) de capacidade energética instalada.

A primeira fase do projeto será a construção de um edifício de data center e uma subestação dedicada, que deve operar em um campus com até três edifícios de alta densidade computacional preparados para workloads intensivos de IA.

Entre as atividades suportadas estão o treinamento de modelos de aprendizado de máquina (machine learning), a inferência de modelos generativos (fase operacional em que a IA já processa novos dados e prevê resultados práticos sob demanda), clusters massivos de GPUs e computação em nuvem de alto desempenho.

A infraestrutura da companhia vai atender às hiperescaladoras, gigantes do setor de tecnologia como Amazon Web Services (AWS), Google Cloud e Microsoft Azure, conforme necessitem expandir suas capacidades regionais.

Segundo o diretor da Ada para a América Latina, Marcelo Mendes Szwarcwing, a empresa quer implantar racks de alta densidade, estruturas para data centers que suportam equipamentos de TI de alto desempenho. Um rack convencional pode operar com 5 a 15 kW; já os racks dedicados à IA frequentemente superam 80 kW, 100 kW ou até mais, o que requer soluções avançadas de refrigeração líquida.

Segundo Adrian Olteanu, diretor global de infraestrutura da companhia, três fatores foram decisivos para selecionar o Brasil como centro para a nova infraestrutura: uma economia robusta, um ecossistema de nuvem maduro e a alta disponibilidade de energia renovável.

O país já tem cerca de 38 GW em pedidos de conexão para data centers viabilizados pela matriz elétrica renovável, e o segmento deve atingir 23 GW de potência instalada até 2034, segundo projeções do setor.

No Nordeste, região que concentra até 93% de toda a produção de energia renovável brasileira, a Casa dos Ventos firmou um acordo para abastecer os data centers do ByteDance com energia eólica e exportar o excedente em forma de dados processados a partir da conexão de seus parques de geração energética à infraestrutura de serviços dos data centers.

O data center do TikTok, a ser instalado no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza, deve contar com potencial de geração eólica avançada, com capacidade instalada de cerca de 2,1 GW.

Em geral, o Brasil abriga o maior mercado regional de computação em nuvem da América Latina, e até 86% das empresas brasileiras utilizam serviços em cloud, com cerca de 52% de todo o processamento de dados corporativo já migrado para esses ambientes.

O novo campus de processamento em Franco da Rocha vai integrar uma cadeia de infraestrutura digital de alto valor agregado e mobilizar até 1.000 trabalhadores durante a construção, que pode durar 24 meses.

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