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Terras raras: acordo vai transformar minério brasileiro em nanotecnologia com produção nacional

18/03/2026

– Processos industriais. Créditos: Unsplash

Um acordo entre uma mineradora e uma empresa de tecnologia brasileira prevê a mineração e o fornecimento de um elemento de terras raras para a cadeia produtiva das nanotecnologias

Fonte: Revista Fórum

Amineradora australiana St George Mining, encarregada do Projeto Araxá, que extrai elementos de terras raras na região do Alto Paranaíba, no oeste de MG, assinou um memorando com a empresa mineira Nanum Nanotecnologia para o fornecimento de minério para a cadeia produtiva das nanotecnologias.

O acordo prevê a mineração e o fornecimento, por parte da St George, do cério, um dos elementos que fazem parte do grupo de 16 metais de transição chamados de “terras raras”, com aplicações industriais relevantes em catalisadores, vidros e ligas metálicas.

Uma vez em posse do elemento, a Nanum deve manipulá-lo em escala nanométrica (a nível de átomos e moléculas), a fim de aumentar sua área superficial e potencializar o desempenho em processos químicos e industriais, transformando-o em insumo com valor agregado para a indústria de ponta.

A técnica permite inovações nas áreas de eletrônica (com a construção de chips nano), energia (com ímãs permanentes para turbinas) e automoção, com o uso do cério, por exemplo, nos catalisadores de automóveis, que transformam gases tóxicos em vapor d’água ou nitrogênio a partir de reações com metais nobres.

Atualmente, a empresa mineira, sediada em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, já trabalha com a produção do óxido de cério, o derivado beneficiado de terras raras, na forma de dispersões em meio líquido. Esse processo serve como catalisador de reações químicas complexas a fim de reduzir a oxidação de componentes automotivos.

As nanopartículas de cério podem ser usadas, ainda, em processos de “remediação ambiental” (técnicas para a reabilitação de áreas naturais degradadas a partir de reações químicas), células de combustível e até na biomedicina, já que têm capacidade de neutralizar os radicais livres, moléculas do organismo que causam estresse oxidativo e danificam células saudáveis (e relacionadas ao surgimento de doenças como Alzheimer e câncer).

O memorando assinado entre as empresas deve iniciar testes químicos e estudos de rota de processamento para verificar a viabilidade técnica e econômica da produção industrial de compostos baseados no cério.

A intenção é aumentar o valor do minério na cadeia produtiva como insumo para novas tecnologias industriais.

“A expectativa é extrair a primeira tonelada do material da planta-piloto ainda neste ano, com plena operação prevista para 2029”, afirma a Nanum.

O cério processado pela empresa também vai servir como aditivo para o diesel, o que deve equivaler a “uma economia média de 10% no consumo [de combustível], além de menor emissão de carbono”. A longo prazo, o memorando também prevê contratos com investimentos em plantas industriais.

Atualmente, o Brasil é muito dependente da importação de produtos de cério, dos quais a China é o maior fornecedor.

Segundo dados divulgados pela St George Mining, a mina de Araxá, um dos maiores empreendimentos de terras raras fora da China, que concentra até 60% do beneficiamento dos minérios, já alcançou 70,91 milhões de toneladas em recursos minerais, com teor de 4,06% de terras raras e 0,62% de nióbio.

A St George também já negocia um possível acordo de fornecimento com a norte-americana de terras raras REalloys (com sede na Flórida), para vender, de maneira antecipada, até 40% da produção futura das terras raras originadas do Projeto Araxá.

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