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Não é Tecnologia, é Geopolítica: o cerco que estão fechando contra nós

20/02/2026

Reprodução

Fonte: FENADADOS

A DrumWave não é apenas uma empresa, é um sintoma. Nossa pauta não é técnica, é política e geopolítica. Assusta ver como a Dataprev+Drumwave e outros entes públicos (MCTI, MGI, Serpro, Celepar, Câmara dos Deputados, etc) estão pavimentando o caminho para um novo tipo de extrativismo: o roubo institucionalizado de dados sob o disfarce de inovação.

A proposta de monetização é o cavalo de Troia que prepara um futuro monopólio autoritário. Precisamos acordar: o que vendem como “soberania do indivíduo” é, na verdade, a destruição do bem comum. Se permitirmos que a vida social seja inteiramente privatizada e convertida em mercadoria, o que sobrará das nossas lutas coletivas e dos nossos princípios progressistas?

É urgente pararmos de enxergar a tecnologia apenas como ferramenta. Precisamos elevar o debate e alertar a classe trabalhadora sobre os riscos sistêmicos que corremos. Nada está desconectado. Entre tantos exemplos, a parceria entre Dataprev e Drumwave; a iminência da inexplicável privatização da Celepar; a entrada da Palantir no FNDE via Serpro; a nebulosa “nuvem soberana” no PBIA; o lobby das big techs na Câmara dos Deputados; o projeto REDATA do Ministério da Fazenda; o nosso sistema judiciário rendido ao Google: não são coincidências — são peças de um tabuleiro que visam o controle absoluto e a nossa perpetuação como plantations digitais.

Estamos cavando nossa própria sepultura. Se não agirmos agora, chegaremos a um ponto de não retorno tão grave quanto a desertificação da Amazônia. Corremos o risco de ver nossa soberania e nossa identidade exauridas antes mesmo que o pulmão do mundo pare de respirar. Sem dados soberanos, ficaremos sem nada.

Sobre a profundidade desse abismo, convido todos à leitura desta poderosa análise da companheira Biana, que disseca o capitalismo na era digital e os desafios do pensamento crítico: https://bianaaf.medium.com/o-capitalismo-na-era-digital-e-as-perguntas-que-o-marxismo-precisa-enfrentar-6aab5af8b423?postPublishedType=initial

Fica aqui o convite — e o desafio — a toda classe trabalhadora e aos dirigentes sindicais responderem: que soberania realmente desejamos para o nosso país?

Márcia Honda – Sec de Tecnologia da Fenadados

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