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IA vira alavanca estratégica para crescimento do Sul Global

12/11/2025

Reprodução

Segundo Nobel Michael Spence, estratégia leva em consideração o menor custo para a adaptação de modelos de código aberto

Fonte: Jornal GGN

Enquanto as nações do Norte Global direcionam os debates sobre inteligência artificial (IA) no potencial desemprego, automação e dilemas éticos, as economias emergentes têm adotado uma visão mais estratégica e pragmática.

Embora reconheçam os riscos existentes no uso de IAs, estes países veem na tecnologia uma alavanca fundamental para a soberania e o crescimento inclusivo.

A tese é reforçada pelo economista vencedor do Nobel, Michael Spence, em análise publicada no Project Syndicate, que destaca o otimismo do Sul Global com a tecnologia do que o visto nos mercados desenvolvidos, que focam suas preocupações na perda de empregos e na ruptura do mercado de trabalho

Foco na Adaptação

A preocupação com uma nova “divisão digital” — onde apenas EUA e China teriam o capital e a infraestrutura para construir modelos de IA de ponta — é real. No entanto, Spence aponta para uma estratégia acessível para o Sul Global, incluindo o Brasil.

“O desenvolvimento de modelos não é o único jogo. A revolução da IA também envolve a consulta, adaptação, ajuste fino e implantação de ferramentas existentes para resolver problemas específicos do contexto e acelerar o aprendizado.”

Este caminho tem custos de entrada menores, e é facilitado pelo aumento da oferta de modelos de código aberto. Entretanto, esta estratégia obrigatoriamente exige uma infraestrutura básica: conectividade móvel estável, energia elétrica confiável e, crucialmente, uma estrutura regulatória que permita a mobilidade segura dos dados gerados pelos cidadãos e empresas.

Casos de sucesso

Quando a inteligência artificial é bem aplicada, torna-se uma ferramenta de política pública poderosa e com baixo custo. Um exemplo disso envolve a migração de pagamentos para sistemas digitais (como o Pix no Brasil, ou a Unified Payments Interface da Índia) gera volumes de dados.

A avaliação de crédito por IA, baseada nesses dados, pode finalmente solucionar o problema da exclusão financeira, provendo microcrédito e financiamento sustentável para pequenos negócios e populações sem histórico bancário tradicional.

O argumento central é que a IA pode cortar o tempo de treinamento e aumentar a produtividade em diversos setores, da saúde ao atendimento ao cliente, atuando como um “mentor” digital.

Em um contexto editorial focado na Geopolítica e na busca por um Projeto Nacional de Desenvolvimento, esta visão se alinha à necessidade de o Brasil e o Sul Global pararem de buscar apenas a liderança na criação de tecnologia de ponta (a “corrida do ouro”) e focar, estrategicamente, em usar a tecnologia disponível como um meio efetivo para atingir objetivos concretos de desenvolvimento e combate à desigualdade.

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