Os japoneses conseguiram algo inédito: nova conexão de internet 4 milhões de vezes mais rápida que a média
Cabos de ethernet. Créditos: Unsplash
Uma equipe de pesquisadores japoneses acaba de estabelecer um novo recorde mundial de velocidade de internet, que supera a velocidade média de conexão dos EUA em quase quatro milhões; entenda
Fonte: Revista Fórum
Uma equipe de pesquisadores do The National Institute of Information and Communications Technology (NICT), no Japão, acaba de estabelecer um novo recorde mundial de velocidade de internet: foi capaz de transmitir dados a impressionantes 1,25 petabits por segundo (o correspondente a 125.000 gigabytes por segundo) ao longo de uma infraestrutura de 1.802 quilômetros.
O feito, que representa uma velocidade quase quatro milhões de vezes superior à média de conexão dos EUA e pelo menos 16 milhões de vezes mais rápida do que a indiana, também mais do que dobra o recorde estabelecido por outra equipe em 2024, que fora de 50.250 Gbps.1 Gbps representa 1 bilhão de bits por segundo (125 megabytes/s), enquanto 1 Pbps equivale a 1 quatrilhão de bits por segundo, ou 125 mil gigabytes/s. O novo recorde, portanto, é quase 25 vezes maior do que o anterior.
Essa taxa de transmissão, que é pelo menos 3,5 milhões de vezes superior à média dos Estados Unidos, permitiria, por exemplo, fazer o download de todo o “Internet Archive”, a maior biblioteca digital de domínio público, em menos de quatro minutos.
O recorde foi possibilitado por uma nova arquitetura de fibra óptica desenvolvida pelo grupo da NICT, que, ao invés de utilizar uma única fibra para transmitir os dados, como ocorre na maioria das conexões atuais, reúne 19 fibras em um único feixe óptico de apenas 0,127 milímetros de diâmetro (o mesmo tamanho de uma fibra óptica convencional).
O aumento de fios no mesmo tamanho de cabo é uma revolução tecnológica significativa: o diferencial é aumentar exponencialmente a capacidade de transmissão, mas sem necessitar de mudanças estruturais na infraestrutura de internet já existente.
As 19 fibras “compactadas”, além disso, reúnem as mesmas características ópticas no seu núcleo, o que significa que interagem com a luz da mesma forma. Isso pode reduzir a perda de dados e a dispersão modal (uma distorção no sinal da internet que ocorre devido às diferentes velocidades atingidas pelos pulsos de luz no cabo), problemas comuns em cabos com múltiplas fibras.
A equipe da NICT já havia atingido um patamar semelhante de velocidade em 2023, mas os novos experimentos multiplicaram em cerca de três vezes a distância da transmissão, que é feita ao longo de aproximadamente 1.808 km (1.120 milhas).
O experimento envolveu 21 repetições do sistema de transmissão, cada uma com 86,1 quilômetros, para compor a distância total, além de um novo sistema de amplificação que mantém e melhora a qualidade do sinal no percurso.
A intenção é servir como uma possível alternativa para melhorar o tráfego de internet no futuro. De acordo com um relatório da Cisco Visual Networking Index, o tráfego global de internet deve crescer cerca de 25% a cada ano.
E, embora o recorde ainda não tenha sido verificado de maneira independente por órgãos como o Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), a equipe deve começar a explorar suas aplicações práticas, especialmente no contexto de desenvolvimento da próxima geração de internet para telecomunicação: o 6G.