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Deezer denuncia que músicas geradas por IA já representam mais de 50% dos uploads

21/07/2026

Reprodução

Em junho, cerca de 90 mil faixas geradas por ferramentas como Suno e Udio subiram nas redes por dia; veja como as plataformas reagem

Fonte: Revista Fórum

Aplataforma de streaming Deezer anunciou que, pela primeira vez, as músicas criadas por inteligência artificial passaram a representar mais de 50% de todos os novos uploads recebidos pelo serviço. O marco foi registrado em junho de 2026, quando a empresa contabilizou uma média de 90 mil faixas geradas por IA enviadas diariamente.

O crescimento acelerado da produção de músicas sintéticas levou a plataforma francesa a adotar novas medidas para conter o avanço do chamado “AI slop” — termo usado para descrever conteúdos produzidos em massa por inteligência artificial — e proteger artistas e criadores humanos.

Crescimento acelerado em menos de dois anos

Os dados divulgados pela Deezer mostram uma expansão rápida da participação da inteligência artificial na produção musical.

Em janeiro de 2025, cerca de 10 mil músicas geradas por IA eram enviadas diariamente, o equivalente a 10% dos novos lançamentos. Em setembro do mesmo ano, o número saltou para 30 mil faixas por dia, representando 28% do total.

Em abril de 2026, os uploads chegaram a 75 mil músicas diárias (44%), até atingir o recorde de 90 mil faixas por dia em junho, ultrapassando a marca de 50% dos novos envios.

Ferramentas de geração musical como Suno e Udio são apontadas como as principais responsáveis pelo aumento da produção de conteúdos criados por inteligência artificial.

Deezer aponta fraude em reproduções

Apesar de representarem mais da metade dos novos uploads, as músicas totalmente produzidas por IA respondem por menos de 1% das reproduções reais na plataforma.

Segundo a Deezer, uma parcela significativa desse consumo é resultado de fraude. A empresa afirma que até 70% das execuções de faixas 100% geradas por IA são realizadas por bots programados para inflar artificialmente o número de reproduções e desviar recursos destinados ao pagamento de direitos autorais.

Plataforma endurece regras

Como resposta ao crescimento desse tipo de conteúdo, a Deezer anunciou uma série de mudanças em sua política para músicas criadas por inteligência artificial.

Entre as principais medidas estão:

  • exclusão de músicas 100% geradas por IA das playlists editoriais e dos sistemas de recomendação;
  • remoção de faixas criadas por IA que permaneçam seis meses sem receber reproduções;
  • exclusão e desmonetização de músicas identificadas em esquemas de fraude com bots;
  • identificação clara das faixas produzidas por inteligência artificial por meio de etiquetas exibidas aos usuários.

Segundo o CEO da Deezer, Alexis Lanternier, as medidas buscam preservar a integridade da plataforma e garantir uma distribuição mais justa da remuneração aos artistas.

Detector identifica músicas produzidas por IA

Para colocar as novas regras em prática, a Deezer utiliza um sistema próprio de detecção de inteligência artificial baseado em aprendizado de máquina.

A tecnologia analisa a assinatura acústica dos arquivos em busca de padrões característicos deixados por ferramentas de geração musical, como Suno e Udio. O algoritmo identifica repetições e artefatos digitais que normalmente passam despercebidos pelos ouvintes.

A empresa também disponibilizou gratuitamente essa tecnologia em uma ferramenta online, que permite aos usuários analisar playlists de outros serviços de streaming, como Spotify e Apple Music, para verificar a presença de músicas produzidas por inteligência artificial.

Como outras plataformas lidam com a IA

O avanço da inteligência artificial também levou outros serviços de streaming a adotarem estratégias diferentes.

Spotify permite músicas geradas por IA, desde que elas não infrinjam direitos autorais, como o uso não autorizado da voz de artistas. A plataforma, porém, remove conteúdos ligados a esquemas de manipulação de reproduções.

Já o Apple Music adota critérios mais rigorosos na aprovação de novos uploads, rejeitando faixas consideradas genéricas ou produzidas em massa.

YouTube Music, por sua vez, tem seguido um caminho mais favorável à tecnologia. A plataforma firmou parcerias com grandes gravadoras para desenvolver ferramentas oficiais de inteligência artificial, permitindo a criação de músicas com vozes de artistas autorizados.

O crescimento das produções geradas por IA amplia o debate na indústria musical sobre direitos autorais, remuneração de artistas e os desafios de distinguir obras criadas por humanos de conteúdos produzidos automaticamente por algoritmos.

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