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Juventude brasileira pressiona por nova jornada de trabalho e apoia fim da escala 6×1

16/03/2026

Levantamento da Nexus indica apoio maciço entre trabalhadores de até 40 anos. Experiências internacionais reforçam debate sobre redução da jornada sem corte de salários Foto: Reprodução

Fonte: DIAP

O debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou novo impulso com dados recentes que revelam amplo apoio popular — especialmente entre os mais jovens — ao fim da escala 6×1.

Levantamento da consultoria Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que 82% dos trabalhadores jovens defendem o fim do regime em que se trabalha 6 dias e se folga apenas 1, desde que a mudança não implique em redução de salário.

A tendência acompanha movimento geracional mais amplo: 8 em cada 10 brasileiros de até 40 anos apoiam a substituição da escala atual por modelos com 2 dias de descanso semanal. E reforça a pressão social sobre o Congresso Nacional, onde tramitam propostas — PEC 148/15, PEC 221/19 e PEC 8/25 — de reorganização da jornada de trabalho.

As propostas são, respectivamente, do senador Paulo Paim (PT-RS), do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e da deputada Erika Hilton (PSol-SP).

O levantamento ouviu 2.021 pessoas em todas as unidades da Federação, entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, e aponta que a discussão já alcança grande parte da sociedade brasileira.

APOIO MAJORITÁRIO

De modo geral, a pesquisa revela que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que a alteração não implique redução salarial. Além disso, 84% defendem que os trabalhadores tenham pelo menos 2 dias de descanso por semana, um dos pontos centrais do debate sobre a reorganização da jornada laboral no País.

Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, os resultados mostram que o tema deixou de ser restrito ao campo sindical e passou a integrar a agenda pública.

“Há uma adesão significativa da população à discussão sobre a redução da jornada. A opinião pública tem mostrado abertura para mudanças que ampliem o tempo de descanso e de convivência social”, afirmou.

Apesar do apoio majoritário, o levantamento também indica que a proposta ainda é pouco conhecida. Apenas 12% dos entrevistados afirmam conhecer bem o debate, enquanto cerca de 35% dizem nunca ter ouvido falar da discussão sobre o fim da escala 6×1.

JUVENTUDE LIDERA APOIO À MUDANÇA

Os dados mostram que o apoio cresce entre os mais jovens, grupo que reúne trabalhadores que ingressaram no mercado de trabalho em meio à expansão de empregos em setores de comércio, serviços e plataformas digitais.

Entre pessoas de 16 a 24 anos, a aprovação chega a cerca de 76%, caindo gradualmente nas faixas etárias mais altas.

Pesquisadores apontam que a diferença geracional reflete transformações culturais no mundo do trabalho. A nova geração tende a valorizar mais equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, saúde mental e flexibilidade na organização da jornada.

Esse movimento ocorre em contexto de forte presença da escala 6×1 em setores como comércio, serviços e parte da indústria: segmentos que concentram grande parcela dos empregos formais no País.

EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS REFORÇAM DEBATE

A discussão brasileira também dialoga com experiências internacionais que testam jornadas mais curtas sem redução salarial.

No Reino Unido, o maior experimento já realizado sobre semana de 4 dias reuniu 61 empresas e cerca de 2.900 trabalhadores, que passaram a trabalhar 4 dias por semana com salário integral. Ao final do teste, 92% das empresas decidiram manter o modelo, após constatar que produtividade e desempenho se mantiveram ou até cresceram.

Os resultados indicaram ainda ganhos relevantes para a saúde e para o ambiente de trabalho. Cerca de 71% dos trabalhadores relataram queda nos níveis de burnout, além de redução significativa de estresse, ansiedade e problemas de sono.

Outro caso frequentemente citado é o da Islândia, que realizou entre 2015 e 2019 um dos maiores experimentos do mundo com redução da jornada. Cerca de 2.500 servidores públicos tiveram a carga horária reduzida de 40 para 35 ou 36 horas semanais, sem corte de salário.

A análise dos resultados mostrou que a produtividade foi mantida ou aumentou na maioria dos locais de trabalho, enquanto indicadores de bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e profissional melhoraram significativamente.

Após os testes, sindicatos islandeses negociaram acordos que permitiram a redução da jornada para dezenas de milhares de trabalhadores no país, ampliando a adoção de semanas de trabalho mais curtas.

Estudos internacionais apontam que empresas conseguem compensar a redução de horas com ganhos de produtividade, reorganização de processos e diminuição do absenteísmo — ausência no trabalho —, além de maior retenção de trabalhadores.

IMPACTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS

No Brasil, as propostas em debate no Congresso não se limitam ao fim da escala 6×1. Um dos modelos discutidos prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, com possibilidade de redução adicional no longo prazo.

Defensores da mudança afirmam que a reorganização da jornada pode gerar benefícios como:

  • melhoria da saúde física e mental dos trabalhadores;
  • aumento da produtividade; e
  • geração de novos empregos para compensar a redução da carga horária.

Críticos, por sua vez, alertam para possíveis impactos sobre custos empresariais e sobre setores que dependem de funcionamento contínuo.

DEBATE POLÍTICO

A discussão ganhou força nos últimos anos e passou a mobilizar sindicatos, movimentos sociais, especialistas em mercado de trabalho e parte do empresariado.

Os dados das pesquisas, porém, indicam que a pressão social tende a aumentar, sobretudo entre os mais jovens, que já representam a maior parcela da força de trabalho brasileira.

Ao mesmo tempo, experiências internacionais sugerem que a reorganização da jornada deixou de ser apenas proposta teórica e passou a ser experimento concreto em diversas economias, o que alimenta o debate sobre o futuro do trabalho no Brasil e no mundo.

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