Nova tecnologia chinesa tem capacidade detectar galáxias formadas nos primeiros milhões de anos do Universo
Crédito Imagem: Darach Watson/James Webb Space Telescope
Testes foram realizados com dados do Telescópio James Webb
Fonte: Revista Fórum
Cientistas da Universidade de Tsinghua, na China, desenvolveram um modelo de inteligência artificial capaz de ampliar significativamente a capacidade de observação do espaço profundo. A tecnologia combina óptica computacional e algoritmos avançados para extrair sinais extremamente fracos, frequentemente encobertos pelo ruído luminoso e térmico dos próprios instrumentos.
Segundo a equipe, o sistema consegue identificar galáxias localizadas a mais de 13 bilhões de anos-luz da Terra. Testes com dados do Telescópio Espacial James Webb mostraram que o modelo permite observar não apenas na faixa da luz visível, mas também no infravermelho médio, alcançando comprimentos de onda de até 5 micrômetros. O ganho de sensibilidade possibilitou detectar objetos até 2,5 vezes mais fracos do que os métodos tradicionais permitiam.
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Sinais da “Aurora Cósmica”
Com a nova abordagem, os pesquisadores identificaram mais de 160 candidatas a galáxias com alto desvio para o vermelho, originadas entre 200 e 500 milhões de anos após o Big Bang — período conhecido como “Aurora Cósmica”. O número é três vezes superior ao registrado anteriormente com técnicas convencionais.
O diferencial está no método de “redução de ruído espaço-temporal por autoaprendizagem”. Em vez de apenas sobrepor múltiplas exposições, como ocorre na astronomia tradicional, o modelo reconstrói o céu profundo como um volume tridimensional que considera variações espaciais e temporais do ruído.
Por meio de um mecanismo adaptativo de triagem fotométrica, a IA separa flutuações aleatórias de sinais reais emitidos por estrelas e galáxias distantes. O sistema também é capaz de processar grandes volumes de dados e operar em diferentes plataformas de observação, o que pode transformá-lo em uma plataforma universal para estudos astronômicos.
Pesquisadores avaliam que a ferramenta poderá contribuir para investigações sobre energia escura, matéria escura e formação de exoplanetas. A expectativa é integrar a tecnologia a telescópios de próxima geração.