Tecnologia brasileira disponível gratuitamente contra fake news vence prêmio internacional para ser apresentada em Harvard
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Sistema opera com curadoria de fontes confiáveis para reduzir margem de erro na checagem.
Fonte: Revista Fórum
Três estudantes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, desenvolveram um chatbot que atua no combate à desinformação dentro do WhatsApp. Batizada de “Tá certo isso AI?”, a ferramenta utiliza inteligência artificial multimodal para analisar textos, áudios, vídeos, imagens e links, cruzando as informações com bases previamente selecionadas como confiáveis.
O projeto foi criado por Cauê Paiva Lira, Luiz Felipe Diniz Costa e Pedro Henrique Ferreira Silva, alunos de Ciência da Computação. A iniciativa venceu o programa AI4Good, promovido pela Brazil Conference, evento organizado por estudantes brasileiros nos Estados Unidos. Com o reconhecimento, o grupo apresentará a ferramenta entre os dias 27 e 29 de março, nos campi de Harvard e do MIT, em Cambridge.
Como funciona o sistema de checagem
A ideia surgiu durante o hackathon de 2025 da Rede de Avanço em Inteligência Artificial (Raia), grupo de extensão da USP. Em apenas 10 horas, os alunos conceberam o protótipo. Depois, passaram por seis semanas de aceleração. Entre os aprimoramentos implementados está a criação de uma plataforma de analytics, inexistente na versão inicial.
O diferencial do chatbot é a curadoria de fontes. O sistema não consulta qualquer conteúdo disponível na internet. Ele opera com veículos consolidados, plataformas especializadas em checagem e sites institucionais, reduzindo margem de erro e elevando o padrão das respostas.
O funcionamento é simples. No chat privado, o usuário adiciona o número (35) 8424-8271 ou acessa o link do site oficial e encaminha o conteúdo suspeito. O retorno informa o que é verificável, o que é falso ou verdadeiro e indica as fontes utilizadas. Em grupos, basta mencionar o bot para que a análise fique visível a todos.
Além da checagem individual, o sistema alimenta um painel público que monitora tendências e temas recorrentes. Segundo os criadores, o recurso permite observar padrões de circulação de desinformação em um ambiente tradicionalmente fechado como o WhatsApp.
O projeto ainda opera com custos reduzidos de infraestrutura e uso de APIs. O próximo passo é ampliar parcerias com veículos, pesquisadores e instituições públicas, especialmente diante do cenário eleitoral de 2026.
