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Oficina debate impactos das exposições cancerígenas e riscos ambientais no Ceará

30/10/2025

Os diretores do Sindpd-CE, Roberto Silva e Afra, da oficina sobre Exposições Cancerígenas no Ambiente de Trabalho, realizada na sede do Sindsef. O evento reúne representantes do CEREST, movimentos sociais e entidades sindicais para discutir os riscos das exposições cancerígenas e os impactos ambientais decorrentes de grandes empreendimentos no Ceará.

Entre os principais temas debatidos esteve o impacto da energia eólica, com destaque para a falta de regulamentação sobre a distância mínima entre as torres e as residências, o que tem causado sérios transtornos às comunidades. Moradores de áreas próximas relataram ruídos contínuos que os obrigam a fechar janelas com tijolos para reduzir o barulho. Também foi apontada a ausência de normas para o descarte das pás das torres, um problema ambiental ainda sem solução definida.

Outro ponto central foi o Projeto Santa Quitéria, que prevê a exploração de urânio e fosfato na região do Sertão Central. As discussões destacaram que a mineração pode aumentar o número de casos de câncer em decorrência da contaminação de solos, águas e alimentos — atingindo diretamente a saúde da população. A falta de infraestrutura adequada, como hospitais, moradias e saneamento, torna o cenário ainda mais preocupante.

Representantes do CEREST e do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) alertaram que os efeitos do projeto podem se estender por até 20 anos após o início das operações, comprometendo as bacias hidrográficas dos rios Curu, Ceará, Aracatiaçu e Acaraú. Por se tratar de uma região de nascentes, a contaminação pode se espalhar por grande parte do estado.

Outro debate importante tratou da instalação de datacenters no Ceará. Embora utilizem energia solar e eólica, esses empreendimentos demandam grandes quantidades de água para refrigeração, o que pode pressionar ainda mais o abastecimento hídrico da população.

Durante o encontro, foram citados exemplos de tragédias como Mariana e Brumadinho, reforçando a necessidade de fiscalização rigorosa e políticas de prevenção para evitar que o Ceará enfrente desastres semelhantes.

A oficina segue com o objetivo de construir propostas conjuntas entre sindicatos, movimentos e órgãos de saúde, visando proteger os trabalhadores e as comunidades dos riscos ambientais e ocupacionais presentes nos novos modelos de desenvolvimento do estado.

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