WhatsApp mira “superinteligência” enquanto Google alerta para escassez de dados
Créditos: Marcello Casal JrAgência Brasil
Líderes de WhatsApp e Google Cloud projetam revolução da IA, mas alertam para governança urgente
Com a previsão de que até os dados terão prazo de validade e novas apostas frente a inteligência artificial generativa (IA generativa), os líderes do WhatsApp, Guilherme Horn, e do Google Cloud no Brasil, Ricardo Fernandes, falaram sobre os impactos do uso da IA e o futuro do segmento no país, durante o evento da J.Safra Investment Conference, realizado nesta terça-feira (16).
Horn destacou que a Meta, controladora do WhatsApp, trabalha na construção de uma “superinteligência geral” (AGI), com capacidade de raciocínio lógico e cognitivo — algo muito mais impactante que a conhecida IA generativa. Mas ponderou que o setor de inovação exige processos de baixo para cima e tolerância ao erro e, apesar do otimismo, Horn reconheceu a incerteza:
“IA, como qualquer inovação, só funciona se for bottom-up. O desafio é que, para inovar, é preciso falhar”, relembrou Horn. “Ainda não investimos mais em IA porque estamos esperando para ver para onde vai. Ninguém sabe para onde vai, só sabemos que vai evoluir de forma exponencial, não linear. E que tem que usar já”, admitiu.
Houve, ainda, reforço na necessidade de governança para acompanhar a velocidade das transformações para que abusos desse sistema sejam evitados, por parte do Country Leader do Google Cloud no Brasil, Ricardo Fernandes. Ele destacou que até mesmo os dados devem começar a ser gerados, ao invés de adquiridos — sem citar diretamente que esse movimento deve ocorrer, principalmente, devido a batalha por direitos autorais:
“Cada vez mais os modelos pensarão em uma janela de contexto maior. Mas tudo é finito, inclusive os dados. Já existe o desafio de gerar dados sintéticos, porque até os dados terão sua expiração. A governança de IA tem que ser pensada para ontem”, disse Fernandes.
Os dois executivos concordaram que a inteligência artificial deve ser incorporada imediatamente às estratégias de negócios, mesmo diante das incertezas. “Esperar é perder terreno”, resumiu Horn, ao defender que empresas testem e errem para não ficarem para trás na corrida da IA.
IA generativa x IA geral
A inteligência artificial (IA) generativa é o tipo capaz de criar conteúdos originais (textos, imagens, músicas ou códigos de programação) a partir de grandes volumes de dados, reproduzindo padrões aprendidos em seu treinamento. Ela não “entende” de fato o que produz, apenas prevê de acordo com o padrão estabelecido. É geralmente usado em ferramentas como ChatGPT, Midjourney e afins.
A inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês) é um conceito mais ambicioso: trata-se de um sistema hipotético capaz de raciocinar, aprender e tomar decisões em múltiplos domínios, com flexibilidade cognitiva semelhante à humana. Ainda está em pesquisa, sem aplicação prática comprovada.