A corrida da IA: oito empresas chinesas estão sendo banidas em vários países
Créditos: Marcello Casal JrAgência Brasil
EUA e aliados barram empresas chinesas de IA, temendo espionagem, vigilância em massa e uso militar de tecnologias sensíveis
Fonte: Revista Fórum
As inteligências artificiais (IAs) tornaram-se a nova fronteira da disputa geopolítica e tecnológica global. Nesse cenário, oito empresas chinesas de IA estão atualmente banidas ou restritas em diversos países, com os Estados Unidos liderando as sanções, principalmente por motivos ligados à segurança nacional e vigilância.
O engenheiro de sistemas, especialista em Comunicação Estratégica e Estrategista de Comunicação Digital, Eduardo Rocha, acredita que a blitz no mercado tecnológico chinês ocorre em razão da ameaça técnica protagonizada pelo país, e explicou que, se esse cenário permanecer, seria necessário proibir todos os aplicativos já existentes — sendo eles chineses ou não.
“Acredito que muito dessa blitz no mercado chinês seja mais uma questão política que técnica”, afirmou Eduardo Rocha à Fórum. “Todas as vezes que você vai usar uma IA, tem dois modos de usá-la: um mandando as informações para lá e outro instalando no seu servidor o engine para que seja processada a informação. Está sendo uma busca, em todo o mundo, a criação de cyber datacenters para que as IAs sejam rodadas no próprio país. Talvez seja essa a grande questão: os modelos chineses são muito otimizados, com uma performance e base de dados otimizadas, usando poucos recursos. Se for usar a transferência de dados para a China, teria que se proibir todos os apps do mundo todo, não só os chineses”, completou.
A vigilância dos Estados Unidos
Os EUA lideram as restrições a empresas chinesas de IA, especialmente no setor de vigilância, sob a motivação de risco de espionagem e ameaça à segurança nacional, acusações de repressão a minorias étnicas, inclusão na lista negra por violações de direitos humanos, uso militar e vigilância estatal.
Só em março deste ano foram proibidas 80 entidades da China, Irã, Paquistão, África do Sul, Taiwan e Emirados Árabes Unidos (EAU).
Entre as empresas, estão marcas como Huawei, SenseTime, Megvii (Face++), iFlytek, DJI e Yitu Technology, todas incluídas na lista do Departamento de Comércio dos EUA — o que faz com que seja proibido fazer negócios sem uma licença especial.
Veja as oito empresas chinesas de IA frequentemente proibidas ou restringidas em outros países:
- Huawei (telecomunicações e IA);
- DJI (drones com IA);
- SenseTime (reconhecimento facial);
- Megvii (Face++) (vigilância e biometria);
- iFlytek (reconhecimento de voz);
- Yitu Technology (análise de imagem e IA de segurança);
- Hikvision (sistemas de videomonitoramento com IA); e
- Dahua Technology (vigilância e câmeras inteligentes).
Expansão global de restrições
Além dos EUA, outros países também impuseram limitações à atuação dessas empresas chinesas em seus territórios. Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia adotaram medidas semelhantes, especialmente em setores sensíveis como infraestrutura digital, segurança pública e telecomunicações.
Destaque para a Índia, que, após tensões diplomáticas com a China, baniu mais de 200 aplicativos chineses, incluindo plataformas que faziam uso de inteligência artificial para coleta e processamento de dados, como o TikTok e o WeChat.
Por que o mundo está proibindo IAs chinesas?
O engenheiro de sistemas, especialista em Comunicação Estratégica e Estrategista de Comunicação Digital, Eduardo Rocha, falou à Fórum nesta segunda-feira (7) que a justificativa dos países aliados dos EUA — e do próprio Estados Unidos — é infundada e de cunho político, uma vez que a China protagoniza um desenvolvimento tecnológico mais otimizado:
“Alguns países estão realizando essas blitzes na IA chinesa. A justificativa é que elas armazenam informações dos usuários na China, e isso viola algumas políticas de segurança dos países. As IAs americanas também armazenam as informações lá nos EUA, e isso, de certa forma, também violaria. Acredito que essa blitz aconteça porque as IAs chinesas estão crescendo e se desenvolvendo muito rápido, as respostas das APIs se multiplicam por três motivos: são mais baratas que as americanas, dão respostas menos enviesadas e se tornam IAs muito rápidas, com pouco ou quase nenhum apoio tecnológico — que ocorre, por exemplo, no ChatGPT, que tem apoio da Nvidia”, explicou Rocha à Fórum.
Dessa forma, Eduardo Rocha conclui que muito se deve à ameaça que as IAs chinesas representam para o mercado das Big Techs no Ocidente, já que essas tecnologias ainda operam no vermelho e precisam de financiamento para viabilizar tecnologia e energia no desenvolvimento.
“Certamente é uma forma de não deixar o mercado tecnológico chinês crescer ainda mais. Muitas das placas de vídeo não podem ser importadas pela China, e eles desenvolvem placas tão boas com até um centésimo dos recursos tecnológicos que muitas IAs do mundo usam, e isso faz com que seja uma ameaça às Big Techs, já que elas ainda trabalham no vermelho e ainda estão sendo financiadas em áreas de tecnologia e energia”, analisou.
Datacenters
O Brasil é um dos grandes interesses internacionais no quesito de atração de datacenters, principalmente pelo debate abordado por Eduardo Rocha, que explicou a procura pela criação dos cyber datacenters.
Enquanto a maioria dos países busca colocar seus datacenters em outras regiões, principalmente em detrimento do consumo desenfreado de recursos naturais — já que as IAs consomem muita água, por exemplo —, o Brasil desponta incentivando um setor focado na sustentabilidade.
Só em março deste ano foram proibidas 80 entidades da China, Irã, Paquistão, África do Sul, Taiwan e Emirados Árabes Unidos (EAU).
Entre as empresas, estão marcas como Huawei, SenseTime, Megvii (Face++), iFlytek, DJI e Yitu Technology, todas incluídas na lista do Departamento de Comércio dos EUA — o que faz com que seja proibido fazer negócios sem uma licença especial.
Veja as oito empresas chinesas de IA frequentemente proibidas ou restringidas em outros países:
- Huawei (telecomunicações e IA);
- DJI (drones com IA);
- SenseTime (reconhecimento facial);
- Megvii (Face++) (vigilância e biometria);
- iFlytek (reconhecimento de voz);
- Yitu Technology (análise de imagem e IA de segurança);
- Hikvision (sistemas de videomonitoramento com IA); e
- Dahua Technology (vigilância e câmeras inteligentes).
Expansão global de restrições
Além dos EUA, outros países também impuseram limitações à atuação dessas empresas chinesas em seus territórios. Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia adotaram medidas semelhantes, especialmente em setores sensíveis como infraestrutura digital, segurança pública e telecomunicações.
Destaque para a Índia, que, após tensões diplomáticas com a China, baniu mais de 200 aplicativos chineses, incluindo plataformas que faziam uso de inteligência artificial para coleta e processamento de dados, como o TikTok e o WeChat.
Por que o mundo está proibindo IAs chinesas?
O engenheiro de sistemas, especialista em Comunicação Estratégica e Estrategista de Comunicação Digital, Eduardo Rocha, falou à Fórum nesta segunda-feira (7) que a justificativa dos países aliados dos EUA — e do próprio Estados Unidos — é infundada e de cunho político, uma vez que a China protagoniza um desenvolvimento tecnológico mais otimizado:
“Alguns países estão realizando essas blitzes na IA chinesa. A justificativa é que elas armazenam informações dos usuários na China, e isso viola algumas políticas de segurança dos países. As IAs americanas também armazenam as informações lá nos EUA, e isso, de certa forma, também violaria. Acredito que essa blitz aconteça porque as IAs chinesas estão crescendo e se desenvolvendo muito rápido, as respostas das APIs se multiplicam por três motivos: são mais baratas que as americanas, dão respostas menos enviesadas e se tornam IAs muito rápidas, com pouco ou quase nenhum apoio tecnológico — que ocorre, por exemplo, no ChatGPT, que tem apoio da Nvidia”, explicou Rocha à Fórum.
Dessa forma, Eduardo Rocha conclui que muito se deve à ameaça que as IAs chinesas representam para o mercado das Big Techs no Ocidente, já que essas tecnologias ainda operam no vermelho e precisam de financiamento para viabilizar tecnologia e energia no desenvolvimento.
“Certamente é uma forma de não deixar o mercado tecnológico chinês crescer ainda mais. Muitas das placas de vídeo não podem ser importadas pela China, e eles desenvolvem placas tão boas com até um centésimo dos recursos tecnológicos que muitas IAs do mundo usam, e isso faz com que seja uma ameaça às Big Techs, já que elas ainda trabalham no vermelho e ainda estão sendo financiadas em áreas de tecnologia e energia”, analisou.
Datacenters
O Brasil é um dos grandes interesses internacionais no quesito de atração de datacenters, principalmente pelo debate abordado por Eduardo Rocha, que explicou a procura pela criação dos cyber datacenters.
Enquanto a maioria dos países busca colocar seus datacenters em outras regiões, principalmente em detrimento do consumo desenfreado de recursos naturais — já que as IAs consomem muita água, por exemplo —, o Brasil desponta incentivando um setor focado na sustentabilidade.