ChatGPT: o erro que muita gente comete e revela que você está usando IA
Usuário de ChatGPT. Créditos: Unsplash
Aqui estão os principais erros de quem usa inteligências generativas, capazes de revelar a prática
Fonte: Revista Fórum
A inovação trazida pela inteligência artificial é tão útil quanto perigosa. Os motivos vão desde a tendência a transferir à IA a responsabilidade de pensar criticamente, torná-la a principal fonte de leituras ou confiar de maneira irrestrita nas informações compartilhadas (e, muitas vezes, inventadas) por ela.
O próprio criador da ferramenta mais famosa de inteligência artificial, Sam Altman, responsável pelo ChatGPT, disse durante uma entrevista ao podcast “OpenAI” que o surpreende o fato de as pessoas terem “um grau muito alto de confiança” na IA porque ela é simplesmente capaz de alucinar.
Mas tudo isso tem a ver, também, com a forma como se usa a IA: e a maioria das pessoas não foi educada sobre a melhor maneira de interagir com essa ferramenta para produzir mais assertividade. Isso gera, além de informações pouco confiáveis ou criações ruins, um risco alto de ser descoberto, o que costuma ser constrangedor.
Veja alguns dos principais erros cometidos por usuários desatentos ou pouco versados em inteligência artificial e como evitá-los:
1. Usar o ChatGPT como um buscador comum
O ChatGPT oferece muito mais possibilidades do que o Google, mas ele não é só um buscador.
Não é ideal usá-lo, portanto, para esclarecer dúvidas simples que uma pequena pesquisa num buscador comum poderia resolver. Isso se deve a dois motivos principais: primeiro, é mais sustentável e inteligente usar a IA apenas para tarefas que ela foi projetada para fazer, que vão além de uma pesquisa simples no Google; e, além disso, seu uso como uma ferramenta de diálogo (e que aprende com a troca de informações) pode direcionar o usuário a um uso mais estratégico, a fim de extrair exatamente aquilo que precisa.
Um dos erros mais comuns de quem trata a IA como um buscador (em vez de uma inteligência generativa) é dar comandos (“prompts“) vagos, da forma como se faz ao pesquisar algo:
- “Fale sobre economia”
- “Explique essas informações”
- “Resolva isso”
A ferramenta é levada a intuir algumas coisas a partir dos dados que recebe e da instrução incompleta, o que permite mais imprecisões nas respostas.
O ideal é sempre especificar exatamente o que é esperado da IA, como:
- “Explique sobre economia para alguém que está no ensino médio e quer saber como funciona uma cadeia produtiva”
- “Leia o texto e descreva seu argumento principal”
- “Resolva as seguintes questões de acordo com a teoria/o exemplo”
2. Não dialogar para melhorar a performance da IA
Esse ponto parte do mesmo pressuposto do anterior: as ferramentas de inteligência generativa são assistentes conversacionais, o que significa que, quanto mais se dialoga com elas, mais aprendem de maneira geral — tanto sobre as suas preferências como usuário quanto com as informações que precisam sintetizar.
Dar um prompt ao ChatGPT e não “melhorá-lo” quando se deveria pode ser nocivo ao uso da IA e impedir a formação de memórias e a complexificação das funções.
É importante direcionar de maneira criativa o ChatGPT, conversando com ele e dando o contexto daquilo que se quer melhorar:
- “Faça respostas de acordo com as fontes”
- “Dê mais exemplos no parágrafo 3”
- “Insira uma explicação ao fim”
3. Não revisar o que a IA escreve
Na pressa cotidiana por extrair informações rápidas, é comum que os usuários de IAs avançadas não revisem o que elas escreveram. Mas isso pode se mostrar um problema em diversos contextos: um deles é quando elas produzem a partir de informações fornecidas pelo próprio usuário, que podem guardar vieses ou imprecisões. Então a IA acaba por reproduzir esses vieses, ou os acentua.
Quando o usuário não revisa o que a máquina escreve, ou não pede para que ela mesma faça uma revisão crítica, corre o risco de reproduzir informações erradas, dados desatualizados ou fora de contexto.
Um exemplo disso foi o caso do jornal americano Chicago Sun-Times, que pediu para uma inteligência artificial gerar um texto com recomendações de livros para ler no verão. A lista saiu repleta de obras inexistentes, inventadas pela própria IA; e, como ninguém revisou as informações, a lista foi publicada na edição de domingo com vários títulos “fantasmas”.
4. “Abusar” da criatividade da IA
Embora as IAs tenham, hoje, capacidade de criar imagens e textos que quase se passam por originais (ou listas de recomendação de leitura), é comum que os usuários abusem dessa capacidade, por vezes sem fornecer materiais específicos para guiá-la.
Isso dá a impressão de que a criatividade da máquina é tão espontânea quanto a dos humanos, que extraem referências do cotidiano, das experiências de vida e de repertórios pessoais.
O ideal é direcionar a IA com base naquilo que se idealizou para a criação, sem deixá-la trabalhar muito “ao léu”: do contrário, ela pode acabar gerando criações muito bizarras, pouco críveis, baseando-se nas informações que ela mesma tenta coletar de fontes variadas.
5. Deixar “marcas” de uso da IA no texto
O erro mais grave (e mais comum) ao usar as IAs tem origem em outra forma de desatenção: os usuários costumam apenas copiar e colar, direto do interior da plataforma, os textos gerados por ela, o que às vezes pode incluir pequenas marcas de sua origem.
Por exemplo: ao copiar um texto direto do gerador inteligente, as pessoas acabavam copiando, também, o pequeno “4.0” que aparecia ao final: a informação da atual versão do ChatGPT. Isso imediatamente avisava a quem lia que o texto havia sido gerado na IA, mesmo que se tratasse apenas de um trabalho de revisão.
Ou, por vezes, a cópia carrega o texto padrão do ChatGPT ao fim das respostas, sugerindo outros usos para a ferramenta, como: “Se quiser, posso transformar isso em uma arte visual, PDF ou guia. Deseja algo assim?“
Para evitar que isso ocorra, o ChatGPT oferece uma ferramenta interativa ao lado da resposta em bloco, em que é possível clicar para copiar a resposta automaticamente e na sua versão “limpa”, ao invés de selecionar e copiar a partir do próprio corpo do texto.