Bolsonaro atrasa pagamento do Auxílio Brasil e tenta conter juros no consignado
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Créditos: Antônio Cruz/Agência Brasil
Bolsonaro pretendia pagar o benefício hoje na tentativa desesperada de comprar votos dos beneficiários do programa. Estratégia eleitoreira, feita às pressas, tem dado problemas recorrentes.
O desespero de tentar comprar votos a toque de caixa do eleitorado mais pobre com o aumento para R$ 600 no Auxílio Brasil tem gerado diversos problemas para Jair Bolsonaro (PL), que pode ter um efeito reverso com o atraso no pagamento do benefício previsto para o mês de setembro.
Segundo informações do portal Jota, a dificuldade em obter dados que mostrem a contrapartida dos beneficiários – como a frequência escolar dos filhos – deve atrasar o pagamento, que estava previsto para esta sexta-feira (9), em uma tentativa de antecipar o calendário da Caixa, no dia 19 de cada mês.
Em agosto, o governo conseguiu pagar dia 9 os R$ 600 com efeito retroativo, o que fez com que muitas famílias recebessem R$ 1,2 mil referente também a julho.
O objetivo de Bolsonaro era antecipar também os pagamentos de setembro e outubro – que cairia na conta antes do segundo turno – do benefício, que será pago apenas até dezembro.
O governo ainda enfrenta problemas com os juros abusivos cobrados no empréstimo consignado aos beneficiários do programa. Os juros cobrados pelos bancos – a maioria estatais, já que os privados não aceitaram o risco – chegam a 60% ao ano, o que representa mais da metade do valor do dinheiro emprestado.
O governo pretende impor um teto usando como referência os empréstimos concedidos a aposentados, de 28,9% ao ano. No entanto, a medida pode depender de intervenção no Banco Central, que foi tornado autônomo como uma das bandeiras neoliberais de Bolsonaro.
Fonte: Revista Fórum