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À contramão da ciência, quando nem os fatos credibilizam a efetividade do lockdown, por Saulo Barbosa S. dos Santos

08/02/2022

Imagem: Reprodução Jornal GGN

Quando há mentira na história, os olhos da ala bolsonarista crescem logo e a coisa começa a ser compartilhada freneticamente até que se torne verdade.

Fazer lockdown quando doenças mortais surgem não é novidade, há 400 anos os europeus fizeram isso para se defenderem da peste negra até encontrarem uma cura, outras nações no curso da história agiram da mesma forma, com a covid não poderia ser diferente. No entanto, um departamento da universidade Johns Hopkins foi na contramão da ciência, elaborou uma pesquisa sugerindo que o lockdown não teve efeito na mortalidade por Covid, e se teve, foi muito pouco. Integrantes do governo não perderam tempo e postaram logo no twitter, inclusive um deputado médico que deu prazo de um mês para a pandemia acabar, Osmar Terra. Os defensores de Bolsonaro não pouparam a soberba de sempre, trataram o presidente como o mito visionário que não errou na estratégia. Quando há mentira na história, os olhos da ala bolsonarista crescem logo e a coisa começa a ser compartilhada freneticamente até que se torne verdade. Afinal, que pesquisa foi essa que poderia mudar a história da humanidade na luta contra doenças?

Embora a universidade tenha um centro de recurso de coronavírus, o estudo não veio dela e muito menos do departamento de virologia, microbiologia, epidemiológico ou até de  medicina, mas sim, o de economia.

O título do artigo é: A literature review and meta-analysis of the effects of lockdowns on covid-19 mortality e foi realizado por três pesquisadores, influenciados por 2 artigos, tomando 24 estudos como base (extremamente pouco quando vemos mais de 10 mil pesquisas sobre o tema), no entanto há graves erros metodológicos nos quais é facilmente percebido: 1 – Não separaram os lockdowns em tempos diferentes, para eles, não faz diferença um lockdown nos primeiros dias e depois de 20 dias; 2 – Foram indiferentes à mudança da efetividade dos lockdowns, uma região com 10000 mortes e depois com 1 morte foi tratada igualmente. Por fim, a própria universidade entra em contradição, pois, em Junho de 2020, publicaram um artigo falando como o lockdown salvou milhares de vidas.

Outros problemas surgem à medida que se aprofunda o texto, não publicaram em periódicos especializados e reconhecidos, nada de revisão por pares. Fica difícil levar isso a sério. Mas quem deu esta notícia? Um jornalista conservador sensacionalista chamado Brad Polumbo, sem mais.

Conclui-se que este estudo tem tudo para ser falseado e foi escrito com total viés ideológico, o aspecto tratado foi econômico e não epidemiológico, ignorou diversas fases metodológicas, inclusive, próprios estudo da Universidade citada. Foi tratado como uma verdade absoluta, influenciando as pessoas desavisadas e pondo a vida delas em risco caso não queiram respeitar um possível lockdown.

Fonte: Jornal GGN

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