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22/04/2016
Nota de Repúdio ao Deputado Federal Jair Bolsonaro – Comitê Pela Memória, Verdade e Justiça do Ceará


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Como se não bastasse o espetáculo deprimente da votação na Câmara dos Deputados para decia posição dessa avacalhada instituição legislativa sobre o impeachment da presidenta Dilma, por si só uma jogada de bandidos derrotados nas urnas, o povo brasileiro assistiu a um ritual macabro de louvor à tortura. O celebrante foi o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-Rj), militar da reserva e pré-candidato à presidência.

Explícito defensor de crimes de lesa-humanidade, atestado em diversas declarações, como: “o grande erro [da ditadura] foi torturar e não matar”. Ao referir-se a deputada Maria do Rosário (PT-RS), disse que não a estupraria porque ela “não merece”, por não fazer seu gênero. Anos atrás, o mesmo delinquente defendeu uma CPI que tivesse pau-de-arara para o deputado Chico Lopes (PcdoB-Ce) “Ele merecia isso, pau-de-arara. Funciona. Eu sou favorável à tortura.

Domingo passado, Bolsonaro votou pelo impedimento de Dilma, reafirmando sua posição nazi-fascista em homenagem ao militar que chefiou o maior órgão de repressão durante a ditatura de 1964, que sequestrou, assassinou e, entre centenas de seres humanos, também torturou a atual presidenta: “Perderam em 1964. Perderam agora em 2016 (...) Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff (...)”.

Ustra ficou conhecido por torturar mulheres inserindo ratos em suas vaginas, espancando-as e estuprando-as. Além de Dilma, outra vítima emblemática do Ustra, foi Amelinha Teles, que teve seus filhos de 4 e 5 anos levados para a sala em que estava sendo torturada, para assisti-la na “cadeira do dragão”, “nua, vomitada, urinada”.

O referido coronel foi acusado pelo Ministério Público Federal por envolvimento em crimes como o assassinato do militante comunista Carlos Nicolau Danielli, sequestrado e torturado nas dependências do DOI-Codi. Seus crimes também foram reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade. Com a complacência da maioria dos deputados da Câmara e dos senhores magistrados do judiciário, o deputado Bolsonaro tem praticado todo tipo de apologia do crime e incitação à violência e nenhuma medida punitiva lhe é imposta. Para isso, só há uma explicação: ele se sente respaldado e protegido pela maioria que compõe a Câmara e o judiciário constituídos por comparsas seus.

Frente a isso, o COMITÊ PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA DO CEARÁ resolve tornar pública esta nota de repúdio a esse deputado fascista Bolsonaro, defensor da ditadura militar e da tortura, que em qualquer país que respeite seriamente o Estado de Direito, já teria sido processado e com seus direitos políticos cassados. Ao mesmo tempo, propõe uma imediata ação de todos os segmentos da classe trabalhadora, em voz unânime, para exigir a cassação do mandato parlamentar desse deputado que representa espúrios interesses e a degradação da espécie humana. Através dele, todos os nazi-fascistas e as mentes mais hediondas se sentem representados. Frente a ele Hitler se contorceria de inveja.

Fortaleza, 19 abril de 2016.

 

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Valter PinheiroValter Pinheiro
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Valter Pinheiro é COMITÊ PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA DO CEARÁ



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